A emoção é como um pássaro,
quando se prende já não canta

domingo, 5 de dezembro de 2010

Comer...rezar...amar

Texto de Ronaldo Pelli - do G1 RJ

Para isso, foram escalados a atriz Julia Roberts, no papel da autora Elizabeth Gilbert, e Javier Bardem, para o seu par romântico, o brasileiro Felipe.
A história autobiográfica fala sobre Liz que, apesar do sucesso profissional e pessoal, sente-se vazia. Para se preencher, a escritora decide reencontrar os seus prazeres perdidos, como o gosto pela boa comida. Ou o conforto de uma religião, principalmente uma exótica para os ocidentais. Por isso, ela escolhe visitar a Itália e Índia, respectivamente. A Indonésia é escolhida para que Liz possa se reencontrar com um guru, que tinha previsto que ela voltaria. Mas lá ela encontra o terceiro caminho desse tripé, ao conhecer Felipe. Javier Bardem até se arrisca em algumas palavras e expressões em português, como “falsa magra”, mas sempre escorrega no sotaque.
Além dessa história de redescoberta, o filme se baseia também em boas histórias laterais que enriquecem o caminho de Liz – e alongam o filme, talvez um pouco além da conta. Na Itália, ela conhece um grupo que a adota, levando-a para restaurantes e até para casas de campo, onde passam o feriado de Ação de Graças. É na Itália que ela começa a aprender a relaxar e a alegria de não fazer nada – o famoso dolce far niente.
Na Índia, ela conhece Richard (Richard Jenkins), um texano que implica com o seu jeito, até que se torna seu amigo e uma espécie de mestre, mesmo com pouca relação com a religião. Na Indonésia, ela reencontra o seu verdadeiro guru, que propõe que ela encontre o equilíbrio entre o prazer e a censura. Também em Bali, ela é apresentada para uma curandeira, que, junto com a sua filha, são responsáveis pelo momento mais emocionante do longa.
Julia Roberts e Javier Bardem na première do filme 'Comer, rezar, amar', em cinema de Nova YorkJulia Roberts e Javier Bardem na première do filme
'Comer, rezar, amar', em cinema de Nova York
(Foto: AFP)
Ponto fora da curva de todo o longa, os italianos são retratados de maneira caricatural, como já tinham alertados os jornais da Itália. O mesmo não acontece com os indianos, indonésios, nem mesmo com o solitário brasileiro interpretado por Bardem. Aliás, Liz elogia “os brasileiros”, por serem amáveis. E o filme homenageia a música nacional, com citações como o “Samba da benção”, aquele que diz que “é melhor ser alegre que ser triste”.
Talvez porque o filme seja em primeira pessoa, com Gilbert contando as suas próprias experiências na passagem por essas três diferentes culturas, e suas reações a cada uma delas, vemos que o filme não se trata de um manual de auto-ajuda. Ela mesma refuta seguir à risca os ensinamentos hindus quando passa pela Índia, por exemplo. Como se mostrasse que, mesmo as religiões não são – ou não deveriam ser – dogmas impostos, mas sugestões de comportamento.
Mas o maior mérito do longa é não ser direcionado apenas para as mulheres, ou melhor, para esse tipo de mulher que, após conseguir a independência, voltou-se para a casa e, mesmo assim, não consegue encontrar a felicidade. Ele mostra que esse comportamento, essa busca por algo exterior – trabalho, casamento, filhos, etc. – é inócua. “Comer, rezar, amar” é um filme amplo, leve, que vai fazer a alegria delas e, até mesmo, deles.

Um comentário:

M@ria disse...

Meu especial agradecimento
a cada um de vocês pelo carinho e amizade. Feliz semana e beijos meus! M@ria