A emoção é como um pássaro,
quando se prende já não canta
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sábado, 10 de setembro de 2011

Fragmento

Tela de George Dunlop Leslie


‎"Pergunto-te em que reino estiveste de noite.
 E a resposta é: estive no reino do que é livre,
 respirei a magna solidão do escuro e debrucei-me à beira da lua.
 Noite alta fazia tal silêncio.
 Igual ao silêncio de um objeto pousado em cima de uma mesa
: silêncio asséptico de "a coisa". 
Também existe grande silêncio no som de uma flauta:
 esta desenrola lonjuras de espaços ocos de negro silêncio
 até o fim do tempo."

Clarice Lispector

domingo, 21 de agosto de 2011

Em que reino estivestes


"Pergunto-te em que reino estiveste de noite.
E  a resposta é: estive no reino do que é livre,
 respirei a magna solidão do escuro e debrucei-me
 à beira da lua.
 Noite alta fazia tal silêncio.
 Igual ao silêncio de um objeto pousado em cima de uma mesa:
 silêncio asséptico de "a coisa"
. Também existe grande silêncio no som de uma flauta:
 esta desenrola lonjuras de espaços ocos
 de negro silêncio até o fim do tempo."

Clarice Lispector

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Fragmento



"...Da lua ela não tinha receio porque
era mais lunar que solar e via de olhos
bem abertos nas madrugadas tão escuras
a lua no céu.
Então ela se banhava nos raios lunares...
E ficava profundamente límpida."

(Clarice Lispector)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O segredo dos meus olhos


O amor é vermelho. O ciúme é verde. 
Meus olhos são verdes. 
Mas são verdes tão escuros que na fotografia saem negros. 
Meu segredo é ter os olhos verdes e ninguém saber.

Clarice Lispector
Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso.
 Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.

Clarice Lispector

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Fragmento

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos,
 a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca
 e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta:
 eles respiravam de antemão o ar que estava à frente,
 e ter esta sede era a própria água deles.
Andavam por ruas e ruas falando e rindo,
 falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez
 que era a alegria da sede deles.
 Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam,
 e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras
 - e ao toque brilhava o brilho da água deles,
 a boca ficando um pouco mais seca de admiração.

Clarice Lispector