A emoção é como um pássaro,
quando se prende já não canta
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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Fragmento

Tela de Olga Suvorova

“Não se concentre tanto nas minhas variações de humor, 
apenas insista em mim. 
Se eu calar, me encha de palavras, 
me faça querer dizer outra e outra vez sobre você, 
sobre nós, e todo esse amor. 
Se eu chorar, não me faça muitas perguntas, 
não precisa nem secar minhas lágrimas. 
Só me diz que você continuará comigo pra tudo, 
que tenho teu colo e teu carinho. 
E ainda que te doa me ver assim, 
me envolva nos teus braços e diga que eu posso chorar, 
mas que você não sairá dali enquanto eu não sorrir. 
Porque é isso que nos importa, não é? 
O sorriso um do outro. 
Não é?”

Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Caio Fernando Abreu

Minha homenagem à esse grande escritor, que se fosse vivo
estaria hoje completando 63 anos.
Nascido em Santiago, Rio Grande do Sul, CAIO foi escritor,jornalista e dramaturgo.

Sim, existir é incompreensível e excitante 
 Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Ela é...

Ela é mais um sorriso tímido de canto de boca,
dos que você sabe que ela soube o que você
quis dizer. Ela fala com o coração e sabe que
o amor, não é qualquer um que consegue ter.
Ela é a sensibilidade de alguém q não entende
o que veio fazer nessa vida, mas vive.

Caio Fernando Abreu

Não ofereço perigo

"Não, não ofereço perigo algum:
sou quieta como folha de outono
esquecida entre as páginas de um livro,
sou definida e clara como
o jarro com a bacia de ágata no canto do quarto
-se tomada com cuidado cuidado,
verto água límpida sobre as mãos
para que se possa refrescar o rosto
mas, se tocada por dedos bruscos num segundo
me estilhaço em cacos,
me esfarelo em poeira dourada..."

Caio Fernando Abreu

sábado, 25 de dezembro de 2010

Preciso de você aqui

" Eu preciso muito muito de você,
eu quero muito muito você aqui de vez em quando,
nem que seja muito de vez em quando,
você nem precisa trazer maçãs
nem perguntar se estou melhor,
você não precisa trazer nada,
só você mesmo,
você nem precisa dizer alguma coisa no telefone,
basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio,
juro como não peço mais que o seu silêncio
do outro lado da linha ou do outro lado da porta
ou do outro lado do muro.
Mas eu preciso muito muito de você."

¬ Caio F. Abreu ¬

Novo amor

"Tenho um amor fresco e com gosto de chuva,
e raios e urgências.
Tenho um amor que me veio pronto.
Assim, água que caiu de repente.
Nuvem que não passa.
Me escorrem desejos pelo rosto, pelo corpo.
Um amor susto.
Um amor, raio trovão fazendo barulho.
Me bagunça.
E chove em mim todos os dias."

(Caio Fernando Abreu)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Os telhados





Vejo os telhados onde jogávamos
migalhas de pão para os passarinhos,
escondidos para não assustá-los, até que eles viessem,
mas não vinham nunca...

Era difícil seduzir os que têm asas,
já sabíamos.

Caio .F Abreu

Poço de mel

" Meu coração é um poço de mel,
no centro de um jardim encantado,
alimentando beija-flores que,
depois de prová-lo, transformam-se
magicamente em cavalos brancos
alados que voam para longe,
em direção à estrela Veja.
Levam junto quem me ama,
me levam junto também.
Faquir involuntário, cascata de champanha,
púrpura rosa do Cairo, sapato de
sola furada, verso de Mário Quintana,
vitrina vazia, navalha afiada, figo maduro,
papel crepom, cão uivando pra lua, ruína,
simulacro, varinha de incenso."

♥Caio F. Abreu 

Vai passar...


“Vai passar, tu sabes que vai passar.
Talvez não amanhã, mas dentro de
uma semana, um mês ou dois, quem
sabe? O verão está aí, haverá sol
quase todos os dias, e sempre resta
essa coisa chamada "impulso vital".
Pois esse impulso às vezes cruel,
porque permite que a dor insista
por muito tempo, te empurrará
quem sabe para o sol, para o mar,
para uma nova estrada qualquer e,
de repente, no meio de uma frase
ou de um movimento te surpreenderás
pensando algo assim como "estou
contente outra vez”.


Caio Fernando Abreu 

Fragmento

Eu tenho uma porção de coisas pra te dizer, 
dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, 
sabe, dessas coisas tão difíceis de serem ditas 
que geralmente ficam caladas, 
porque nunca se sabe nem como serão ditas 
nem como serão ouvidas, compreende? 


Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

E nem sequer
Era primavera.
E disseste que margarida
Era amarelo e branco
E eu disse que branco era paz,
E disseste que amarelo era desespero.
E dissemos quase juntos que margarida era então desespero,
cercado de paz por todos os lados.

Caio Fernando Abreu

sábado, 6 de novembro de 2010

Manda-me pelo vento

Tela de Edward Cucuel
manda-me verbena ou benjoim no próximo crescente
e um retalho roxo de seda alucinante
e mãos de prata ainda (se puderes)
e se puderes mais, manda violetas
(margaridas talvez, caso quiseres)

manda-me osíris no próximo crescente
e um olho escancarado de loucura
(em pentagrama, asas transparentes)

manda-me tudo pelo vento:
envolto em nuvens, selado com estrelas
tingido de arco-íris, molhado de infinito
(lacrado de oriente, se encontrares)


Caio Fernando Abreu