A emoção é como um pássaro,
quando se prende já não canta
Mostrando postagens com marcador Guimarães Rosa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Guimarães Rosa. Mostrar todas as postagens

sábado, 27 de agosto de 2011

Viver é um descuido

"Viver é um descuido prosseguido".
Sigo à risca. Me descuido e vou...
Quebro a cara. Quebro o coração.
Tropeço em mim. Me atolo nos cinco sentidos.
Viver não é perigoso? Então, com sua licença!
Não tenho medo. Nasci assim.
Encantada pela vida. O sertão é dentro da gente.
Ah, como não? Aqui tudo é achado.
Somos ferro e fogo. Perigo nunca falta!
Sertão é igual coração.
Se quiser, que venha armado! Tudo é igual.
Aqui se vive. Aqui se morre. Dentro e fora da gente.
Confusão demais em grande demasiado sossego ...".

Guimarães Rosa

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Alongo-me



O rio nasce
toda a vida.
Dá-se 
ao mar a alma vivida.
A água amadurecida,
a face
ida.
O rio sempre renasce.
A morte é vida.


Guimarães Rosa

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O sono das águas

Há uma hora certa,no meio da noite,
uma hora morta,em que a água dorme.
Todas as águas dormem:
no rio, na lagoa,
no açude, no brejão, nos olhos d'água,
nos grotões fundos
E quem ficar acordado,
na barranca, a noite inteira,
há de ouvir a cachoeira
parar a queda e o choro,
que a água foi dormir...
Águas claras, barrentas, sonolentas,
todas vão cochilar.
Dormem gotas, caudais, seivas das plantas,
fios brancos, torrentes.
O orvalho sonha
nas placas da folha
geme adormece.
Até a água fervida,
nos copos de cabeceira dos agonizantes...
Mas nem todas dormem, nessa hora
de torpor líquido e inocente.
Muitos hão de estar vigiando,
e chorando, a noite toda,
porque a água dos olhos
nunca tem sono...


Guimarães Rosa