A emoção é como um pássaro,
quando se prende já não canta
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domingo, 11 de setembro de 2011

Ao vento

Tela de Richard Emil  Miller

Fica comigo, mas não posso
pedir ao vento 
que sopre ao alcance de
meu ouvido,
ou à terra que abençôe meus 
segredos contigo –
nem mesmo da luz querer ouso
que se detenha em meu abrigo.
Quando os dados lançados,
e até meu silêncio, 
contra toda certeza parece 
que conspiram 
- e caso os dedos do mundo
em suas recurvas unhas nos firam -
releva, e fica comigo: 
os anjos sabem mais alto 
daquilo em que insisto, 
do que preciso.

Fernando Campanella

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A Carta

(“As cartas de amor são ridículas...” Fernando Pessoa)

Ouso dizer-te, meu amor, 
que tua ausência é uma mesma carência de mim.
Nossos eus se emaranham e já não sei em que ponto me quedo,
 em que ponto te levantas.
A que limite sou eu que te busco, ou tu que me alcanças?
Quando prosa ritmada, quando verso sem pé? 
Faca ou colher? Abissal ou vazante de maré? 
Quando manha, quando ferida? 
Onde pecado, onde pudor?
Em que berço com teus sonhos me deito?
Com meus sonhos te despertas em que leito?
Cara ou metade? Lucidez ou enfermidade?
Se resquício de ti, se memória de mim, já o que importa?
Onde defeito , onde um querer-te assim mais que perfeito, sem fim?


Fernando Campanella